
Cherepaka é a palavra em russo para tartaruga. É também o nome do espetáculo da companhia canadense Nad`ere Arts Vivants da artista Andréane Leclerc, criadora da performance de contorcionismo apresentada no Sesc Belenzinho e baseada nas analogias criadas dessa relação.
Andréane explica que o ponto de partida foi “a dualidade entre o instinto animal e o desejo do ser humano de viver. A oposição da morte da carne e da carapuça, que pode se tornar um fóssil e continuar” e complementa: “Não se trata da morte da tartaruga propriamente, mas uma inspiração, uma pintura e o que isso representa”.
A artista, formada na tradicional escola de circo de Montreal, a Montreal’s National Circus School, é hoje considerada uma das grandes contorcionistas em atividade. “O contorcionismo é algo especial que, se você não faz, é difícil realmente entender o que ele é, sua especificidade. Mesmo que eu esteja no palco com várias pessoas, estou extremamente sozinha.”
Após se apresentar durante anos fazendo números em espetáculos de grandes companhias, Andréane partiu para os solos e o desejo de ir se aprofundar em sua arte. “Quando entro na sala de espetáculo, começo a perguntar o que é o circo para mim e como o público está vendo os movimentos. Isso se tornou uma dualidade para mim – viver esse momento e estar em contato com a vida, com o mundo e com o espaço, em oposição ao público assistindo aos movimentos como um instante de morte, de perigo e risco, já que para o público, isso é algo muito distante do que eles podem fazer.”
Dessa inquietação surge a motivação para Cherepaka. Segundo Andréane , isso lhe rendeu “imagens, formas do corpo, pequenas visões e o que juntou uma ideia à outra foi a imagem da tartaruga, o simbolismo da sua carne que pode desaparecer com o tempo, que eu conectei a essa ideia do artista de circo e o instinto animal, e do outro lado, a carapaça que permanece com o tempo. Essas contradições me ajudaram a trazer o corpo em diálogo, dentro da paz.”


Write a comment: